Carybé em São Paulo

Estivemos na exposição de aquarelas do Carybé, que veio se fazer baiano depois de adulto e, de 1950 a 1980, fez incríveis aquarelas e nanquins daquilo que viu e sentiu nos terreiros de candomblé da Bahia.

Toda a exposição está organizada de acordo com os rituais de saudação dos Orixás – iniciando-se pelo ancestral primeiro, a ialorixá Mãe Senhora, passando por imagens da iniciação no santo, todos eles e suas festas, até os rituais de morte, que encerram o ciclo e o iniciam.

Só ao vivo pude ver alegria das transparências e das correções, dos brilhos rápidos feitos com cores e da exatidão fotográfica das aquarelas – um registro delicado e amoroso das divindades, sempre específicas e cheias de encantamento.

Em uma época onde a perseguição policial a terreiros de candomblé era a regra, essas aquarelas leves não nos revelam o temor da perseguição e fechamento de terreiros, mas só a luz em camadas de um olhar delicado e rápido, apressado por dois motivos: o amor que nos passa e a necessidade de registrar o que estava sendo perseguido. Imagens de amor e urgência.

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